Uma das características culturais de Cachoeira do Campo é a música manifestada por intermédio de duas bandas. Uma delas é a Sociedade Musical União Social, fundada em 1864, a partir de divergências políticas surgidas na Banda Euterpe Cachoeirense, que já atuava desde 1856.

A Euterpe teve como fundador o capitão Rodrigo de Figueiredo Murta, chefe político ligado ao Partido Conservador, mas os músicos que a compunham tanto havia do partido do fundador quanto do Partido Liberal, sem que isso interferisse na música. Entretanto, quando houve necessidade substituir o regente, demissionário por questões particulares, apresentaram-se dois candidatos, um de cada partido. Como o diretor era do conservador, conta-se que houve manipulação para se eleger o candidato, Francisco Carlos de Assis Ferreira, conhecido como “Mestre Chico”, da mesma linha política. Mas, a gota d’ água que motivou a divisão da então única banda talvez tenha sido o fato de a vitória ter sido comemorada com uma serenata, da qual só participaram músicos ligados ao Partido Conservador. O candidato derrotado, João Gonçalves de Magalhães, reuniu em torno de si os músicos seus correligionários e formou a Sociedade Musical União Social. A nova banda reuniu simpatia em torno de si e se consolidou ao longo dos anos.
Em 1888, foi admitido em suas fileiras o músico que a lideraria por 69 anos e a marcaria com sua influência em todos os sentidos. Randolfo José de Lemos, nascido em 1873, ingressou na banda em 1888, aos 15 anos, tornando-se sub-regente em 1891, aos 18 anos. Aos 20 anos, assumiu a regência da banda e só a deixou quando a idade avançada e a saúde precária o impediram de estar à sua frente. Mesmo assim, sua opinião abalizada sobre música e senso de respeito para com os músicos e em relação a outras bandas fizeram dele exemplo para os que ingressavam nas fileiras da União Social. Nem mesmo a cegueira que o acompanhou pela maior parte da vida, até expirar em 1962, o impediu no cumprimento do dever assumido junto à banda.

Conhecida popularmente como “Banda Baixo”, por ter sua sede na parte baixa da localidade, ao contrário de sua oponente, na parte alta, a S.M. União Social mantém-se através das gerações com o mesmo espírito de liberdade, preconizado por seus fundadores, sob clima de companheirismo na dedicação à causa da banda. Há alguns anos, a banda era campo exclusivo de homens. Hoje, meninos e meninas, rapazes e moças integram suas fileiras ao lado dos veteranos, alguns na faixa de sessenta, setenta, oitenta anos, que ingressaram com a mesma idade dos que agora se iniciam.

Colaborou: Nylton Gomes Batista